quarta-feira, 10 de outubro de 2007

A metamorfose da dignidade



Ao começar a sentir o cansaço advindo da indignação, dei espaço ao ilustre pensamento "A indignação é para os dignos". Bom, dignos, há algum tempo, seriam as pessoas que aspiram o trabalho como fonte de renda para serem, ao menos, sobreviventes, sem que para isso precisem romper com os seus valores. E então, hoje, essa definição gera idéias tão controversas como as formas de se corromper e as formas de evidenciar a ausência de valores sólidos. Nesse quadro contemporâneo de violência, dignidade é o idealismo de quem não destrói vidas, não enxerga na existência humana o preço de uma droga e de quem pode se deslumbrar com a fissura de ser um sobrevivente de assaltos e seqüestros. Droga e vida passaram a se identificar no valor e na forma como são produzidas e destruídas. Afinal, não há quem pare de tomar o seu ‘cafézinho’ ao ver que o tema da notícia do jornal é a troca de bebês, o homicídio arquitetado pelo filho no qual as vítimas são os próprios pais. A dignidade passa a encontrar o seu sentido em uma atitude negativa dos homens, isto é, no ato de não matar, não furtar, não violentar uma mulher ou uma criança e também, no ato de não praticar pedofilia e estupro. Assim, nos Estados paralelos situados em morros e favelas e formados por trás de extensas leis brasileiras, frutos do trabalho do nosso legislativo "armado" pela Constituição da República, encontramos a dignidade na sua essência. No direito à vida. Cláusula, até então, pétrea. Esse caos me provoca um grande estranhamento ao ver que o poder subentende violência. E o primeiro não teria se perdido com o ato violento? Incrível é ver a formação de leis e a realização da ordem nesses locais aonde a liberdade é algo surreal. E assim, os policiais perdem o seu espaço em terras que ainda fazem parte do território brasileiro e por essa razão, teriam que ficar sob a égide das leis promulgadas no Brasil. E não, sob o comando dos costumes que se transformaram em normas morais em função de um calibre 35 ou 38, como quiser. O retrocesso é algo, realmente, idealista. No entanto, não penso muito para dizer que o idealismo realista é o mais lógico. Lógico para não ser redundante e dizer, real. Apenas clamo por humanidade já que este é o pressuposto para a indignação e para que não haja, falta de dignidade.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

A blindagem dos direitos..


Os direitos humanos que me perdoem, mas eu persisto na minha defesa por justiça à humanos direitos. Em frente a uma “coisificação” tão grande do ser humano, ainda vejo o Direito tratar animais como coisas e coisas apenas. Eu faria uma classificação diversa, dividiria coisas em coisas extraordinárias (animais) e coisas desprezíveis ( homens que se dizem homens e são nada mais que coisas). E espero não causar espanto já que o gosto doce de balas se ausentou para dar lugar ao cheiro de chumbo no ar. É ainda mais espantosa a forma como nos referimos aos governantes, ou políticos, ou se quiser, “blindados”. Temos o costume de dizer “aqueles lá de cima” e, no entanto, essa expressão me traz lembranças de algo bom e isso me parece nada adequado. A necessidade de se tornar obrigatório o ensino superior para cidadãos poderem ocupar cargos no poder público é notória para pessoas, no mínimo, pouco estudadas. No entanto, aqui dou ênfase ao sentido do termo “Política”. Afinal, saber o seu sentido é o ato mais singelo que alguém que se diz político pode fazer. Política, meus caros, remete a agir em conjunto. Vocês sabiam? Pois, eu, cidadã, exijo que saibam, ao menos, disso. Agindo em conjunto, eu quero o direito em ação que alguns chamam por aí de “Justiça”. Eu ainda insisto em dizer que vivo em uma República e vocês insistem em fingir que não sabem que se elegeram para ocupar cargo em um País aonde todos devem ter o poder capacitante para participar da coisa pública e pensar no bem comum. Diante de um liberalismo latente, a disputa está entre liberdade para participar da coisa pública e liberdade para realizar a própria vontade. Tudo bem. Eu me rendo aos pensamentos liberais. Mas exijo que vocês se tornem, ao menos, políticos. Vocês, os “blindados”, constituem pautas atrasadas, corrupção para o cidadão mais relapso, milhões de reais e coletivas para poderem, ainda, dizer que servem ao povo. Não sei se lhe informaram, mas somos nós, o povo, os soberanos nesse Brasil e por nós que o Direito deve se valer. Isso deve ser bastante complexo para um legislativo, consideravelmente, incapacitado, não? Aos “caras lá de cima” peço perdão. Eu insisto em dizer que o Código Penal deve ser reconstruído, que a educação deve merecer mais investimento, que o ensino público deve ser digno de bons professores e boa estrutura e não, digno de cotas. Acredito ter grandes mentes escondidas e essas medíocres cotas as cegam diante de um percurso importante na vida escolar. E será que vocês, “blindados”, carecem também de tal informação? Enquanto isso, criamos balas de chumbo a cada esquina perante a falta de educação e diante disso, construímos uma falta de perspectiva tão grande que leva os nossos meninos a optar entre morrer aos 20 em função do tráfico e de fugas de penitenciárias ou morrer aos 30 devido à balas perdidas ou mesmo em razão do ato de “coisificação” mais moderno da nossa “República”, o assalto seguido do homicídio. Pasmem!